Irit Batsry

WARNING PALACE & THE YELLOW LINE

Irit Batsry (EUA)

 

Warning Palace

Instalações site-specific, fitas de seguranca com legendas “caution” e “danger”, telas, videoloop, Dimensões variáveis, 2013.

 

Nova série de instalações site-specific criadas durante a residência da artista em 2012, as obras, construídas com fitas de segurança impressas com as palavras ‘Caution’ (cuidado) e ‘Danger’ (perigo) interrogam a tensão entre o orgânico e o mecânico, o industrial e o artesanal, falam de fronteiras e transgressões, inclusão e exclusão, e questionam a percepção e a nossa relação com o meio ambiente.
As instalações estão espalhadas por diferentes áreas do palácio:
Visível da rua, uma das janelas da fachada está preenchida por uma teia de fitas de segurança amarelas e vermelhas. O mesmo ecrã, visto no interior do palácio, cria uma “membrana” entre o exterior e o interior.
A escadaria nobre do palácio e a sala vermelha apresentam “cachos” de fitas “Caution” e “Danger” atrás de telas engradadas, montadas nas janelas de forma a fazer parte da arquitectura. O sol, actuando como projector, activa uma imagem na superfície de cada tela, transformando-a num híbrido entre pintura, escultura e “filme”.
Uma terceira tela encontra-se no chão da sala vermelha, virada para cima, permitindo ao espectador ver as suas “entranhas”. A mesma sala apresenta uma projecção de uma intervenção filmada da artista no palácio. Uma instalação na fonte do jardim complementa esta série de obras.
Warning Palace é parte de um conjunto de obras (iniciado em 2007) e que inclui até à data várias instalações de grande escala, esculturas efémeras e fotografias.

 

The Yellow Line (in the white gallery)

Vídeo instalação multi-canal, mixed media, dimensões variáveis, 2007/2013. 

 

The Yellow Line (in the white gallery) cerca os espectadores de vídeo projecções de indivíduos do sertão brasileiro observando atrás de fitas de segurança, transformando assim material documental numa experiência espacial.

A instalação justapõe a sumptuosa arquitectura do palácio com a urgência da vida nas ruas do Sertão do Nordeste do Brasil, onde as pessoas que parecem observar os espectadores foram filmados a olhar para a filmagem de O Céu de Suely de Karim Ainouz.

A obra, que fala de limites e transgressão, subverte as ideias de exclusão e inclusão, centro e periferia. As margens do local de rodagem tornam-se o centro da atenção. Impedidos de entrar nesse local, os observadores locais tornam-se o assunto da obra, bem como os seus “actores”. A linha amarela – uma separação ténue entre o quotidiano e o artifício cinematográfico – torna-se a protagonista e o espectador substitui o local de rodagem “ausente”.

The Yellow Line (in the white gallery) faz parte de um ciclo de obras que têm origem no material filmado pela artista nos locais de rodagem de filmes brasileiros. A primeira, Set, uma instalação vídeo multi-canal e uma projecção exterior sobre a arquitectura foi exibida no Whitney Museum em 2003-04. Esta transpunha material filmado pela artista no local de rodagem de Madame Satã, de Karim Ainouz, em 2001, numa reflexão entre o documentário e a ficção, acerca da imagem, da representação, da marginalidade, da diferença social e do conflito.

O ciclo vai continuar com um trabalho que tem origem no material filmado em Fortaleza no local de rodagem de Praia do Futuro em 2013.
Espalhada no tempo, por diferentes locais e períodos históricos, este ciclo é também um retrato fragmentado dos diferentes “Brasis” encontrados pela artista.

 

A obra de Irit Batsry, que habitualmente trabalha nos suportes vídeo e instalação, foi já mostrada em 35 países diferentes. Em 2002 recebeu o prémio Whitney Biennial Bucksbaum. Recebeu também o Grand Prix Video de Création da Societé Civile des Auteurs Multimedia (1996 e 2001) e o Guggenheim Foundation Fellowship (1992), além do Grand Prix – Locarno (1990 e 1995), o First Prize – Vigo 94 e o 01 First Prize – no Australian Video Festival (1989). Irit já expôs o seu trabalho em contextos prestigiados como sejam: National Gallery em Washington, National Film Theater e ICA em Londres, Museu Reina Sofia em Madrid, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Ludwig Museum em Koln, Tel Aviv Museum e no Artists Space, Whitney Museum e Museum of Modern Art (MoMA), em Nova Iorque. O Jeu de Paume em Paris organizou, em 2006, uma retrospectiva dos seus vídeos (1981-2006).

 

Site da artista  

 

Co-produção: Duplacena e Irit Batsry Studio 

O trabalho de Irit Batsry é representado: por Shoshana Wayne Gallery, Santa Monica; Bendana Pinel l Art Contemporain, Paris; Aut Aut Arte Contemporânea, Rio de Janeiro; e Heure Exquise! (distribuição vídeo).