Catarina Leitão

No meu trabalho tenho vindo a desenvolver séries de narrativas ficcionais que partem de uma análise da nossa relação com a natureza, uma relação que é culturalmente condicionada. A par desta vertente, pesquiso as possibilidades do desenho no espaço tridimensional e o conceito de portabilidade. A obra estrutura-se em torno do desenho, escultura, instalação e livro como forma de trabalhar a ideia da obra portátil e mutante: que pode estar fechada ou aberta, em repouso ou a actuar no espaço quando manipulada por um participante. Como um Kit que condensa três momentos: um inicial, de repouso e portabilidade (fechado, bidimensional), um acto performativo (abrir, instalar), e um corpo expandido (aberto, tridimensional).
1. Catarina Leitão
Desenhar a duas e três dimensões.
2. O que vês quando olhas para a tua obra?
Vejo uma história inacabada e penso no capítulo seguinte.
3. Que elementos não podem faltar numa exposição tua?
Sentido, sentido de humor e contra-senso.
4. O teu processo artístico em poucas palavras.
Uma produção contínua: fazer, pensar, fabricar, pesquisar, fazer.
5. Artistas vivos ou obras que são uma referência para ti.
Vito Acconci, William Kentdrige, Robert Morris, Henrique Vila-Matas, Krzysztof Wodiczko, lya & Emilia Kabakov, entre muitos outros…
6. Tendências que tens percebido ou acompanhado nas artes contemporâneas nos últimos 15 anos.
Não acompanho tendências em particular. Mantenho-me informada.
7. O que é que tu colocarias no teu cabinet de curiosités?
As minhas ferramentas de trabalho.
8. A experiencia como artista residente no CDAP.
A experiência foi muito positiva. O trabalho num espaço visualmente tão denso e difícil, ofereceu um desafio enriquecedor à minha pesquisa artística. Adicionalmente, foi extraordinário e edificante o convívio e o diálogo com todos os envolvidos como o Paulo Reis, o Lourenço Egreja, a Rachel Korman e toda a equipa e artistas que me acompanharam no desenvolvimento do meu projecto.
