Catarina Simão

Nasci em Lisboa, onde estudei (FA-UTL) e pratiquei arquitectura.

Entre 2000 e 2005 vivi fora de Portugal, inicialmente para expandir o meu ciclo de estudos na ETSAB de Barcelona. A minha decisão de focar-me intensivamente em net.art naquele momento era já um primeiro manifesto de recusa do espaço institucional como possibilidade para a criação. O meu entendimento enquanto artista fez-se então primeiramente em oposição à “objetidade” da arte. Mas os algoritmos da indexação existiam já para nos lembrar que "achar coisas aleatoriamente" na Net, é apenas mais um mito. Foi preciso uma mudança de planos: a indexação tornou-se um terreno comum de interesse tanto on-line, como no mundo materializado. A noção da organização da informação no mundo, documentos, imagens e sons, passou a ser um terreno de pesquisa contínuo e um instrumento para entender a construção política do corpo, da linguagem e da história.

Desde 2009 que comecei a apresentar o meu trabalho internacionalmente.

 

1. Catarina Simão

Catarina Simão, Amadora, 1972.

2. O que vês quando olhas para a tua obra?

Objectivamente: vejo um problema resolvido por mim, - ainda que temporariamente –no qual usei o conhecimento que tinha naquela altura.

3. Que elementos não podem faltar numa exposição tua?

As decisões são tomadas com antecedência, fruto da pesquisa, sempre longa, até chegar à proposta expositiva. Há porém soluções formais e de conteúdo que resultam do acaso, do processo de montagem no espaço, no diálogo com o curador ou os técnicos. É importante focar-se nesse acaso: numa exposição, o improviso não pode faltar.

4. O teu processo artístico em poucas palavras.

Por força de um estado de atenção, há uma série de enigmas que se apresentam em confronto com uma realidade escolhida - que pode ser uma fotografia, um filme, uma visita a uma instituição, um arquivo, um programa histórico, etc. Por força desse estado de suspeita, faço uma recolha de provas que possam ajudar a dar corpo ao problema ou a conduzir a novas suspeitas. Questiono o modo de existência das provas recolhidas, coloco em questão a sua própria existência. Quando faltam provas, não hesito em criar as peças que faltam, desenhando, fotografando ou filmando. Inventar a ética que aprova essa invenção é a parte que fecha esse processo e o apresenta enquanto obra.

5. Artistas vivos ou obras que são uma referência para ti.

Jorge Blasco Gallardo. Ele ensinou-me as qualidades de ser amador na nossa profissão.

6. Tendências que tens percebido ou acompanhado nas artes contemporâneas nos últimos 15 anos.

A prática artística não se livrará do peso da história tão rapidamente.

7. O que é que tu colocarias no teu cabinet de curiosités?

Pensei em escrever algo ligado à experiência não tangível dos afectos, pois são importantes no sentido da necessidade de cuidar, proteger, guardar. Mas vou dizer, códigos. Tenho uma lista de passwords, pins de acesso aos portais das finanças e segurança social. Mais que os afectos é a burocracia que não me deixa livre. Tudo o resto, acredito que se possa reinventar com prazer, no tempo, com menos ou mais trabalho.

8. A experiencia como artista residente no CDAP.

Trabalhei durante dois meses no espaço da Carpe Diem, com a instalação Offscreen Project para o programa Barulhamento do Mundo, Africa.cont/Carpe Diem, 2011.

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