José Carlos Teixeira

Nasci no Porto, em 1977. Após ter concluído a minha licenciatura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto, prossegui estudos em Bilbao, Nova Iorque e em Los Angeles. Aqui, como bolseiro Fulbright, obtive o meu mestrado em Interdisciplinary Studio na Universidade da Califórnia.

O meu trabalho em vídeo e instalação tem sido exibido nacional e internacionalmente, em lugares como o Hammer Museum (Los Angeles), Armory Center for the Arts (Pasadena), Art Interactive (Boston), Museum of the City of New York, Residency Unlimited (NY), Spaces, MOCA (Cleveland), MMOCA (Madison), Peter B. Lewis Center for the Arts (Princeton), Württembergischer Kunstverein (Estugarda), DAZ, Berlinerpool, Rosalux (Berlim), Rencontres Internationales Paris/Berlin (Paris), National Center for Contemporary Art (Moscovo), M. K. Ciurlionis National Museum (Kaunas), Centro de Arte Hélio Oiticica (Rio de Janeiro), Centro Cultural de São Paulo (São Paulo), Fundação Oriente (Macau), Museu EDP, Fundação Gulbenkian, CAM, Fundação Carmona e Costa, Goethe-Institut (Lisboa), entre muitos outros. Estou representado em várias colecções, incluindo o Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, a PLMJ, a Fundação EDP, a Aberdeen Art Gallery, e o Museu de Arte do Rio (fundo Paulo Reis). Recebi o prémio do júri no Festival Fuso 2011, e participei no Prémio Novos Artistas da EDP, em 2005. Nos últimos anos, frequentei diversas residências artísticas, como a Akademie Schloss Solitude, a MacDowell Colony, e o Headlands Center for the Arts. Actualmente, sou docente no Departamento de Arte da Universidade do Wisconsin-Madison (EUA).

 

1. José Carlos Teixeira.

Artista, professor.

2. O que vês quando olhas para a tua obra?

Vejo imensas coisas, mas sobretudo um exercício de representação de temáticas que me são muito próximas e intelectualmente estimulantes. Vejo uma sincera tentativa de comunicação e, geralmente, uma plataforma de participação e colaboração. No entanto, prefiro que sejam os outros a discernir o que vêem quando olham para a minha obra. Penso que esse é o grande objetivo, a forma como estabeleces relação com o microcosmos do outro.

3. Que elementos não podem faltar numa exposição tua?

Elementos essenciais? Uma estrutura audiovisual, documental, textual e relacional.

4. O teu processo artístico em poucas palavras.

O meu processo artístico parte sempre de uma ideia, ou uma rede conceptual, de um texto, ou até de uma imagem ou um sistema de imagens... Este conceito-realidade persegue-me e eu procuro então materializá-lo. Inicialmente, o processo criativo reveste-se de mais dúvidas do que certezas. Aos poucos, estas dissipam-se para dar lugar a um corpo de trabalho que é simultaneamente reflexivo e auto-reflexivo, capaz de gerar empatias e diálogos próprios.

5. Artistas vivos ou obras que são uma referência para ti.

Não tenho hábito de construir ídolos em torno de determinados sujeitos. Para além disso, algumas destas influências não se encontram vivas, permanecem sim as suas obras... Albert Camus, Michael Haneke, David Lynch, Agnès Varda, Jerôme Bel, Bas Jan Ader, Theaster Gates, Mierle Ukeles, João Penalva, Alfredo Jaar, Allan Sekula, Arvo Part, entre tantos outros. Encontro autores nas várias áreas artísticas (literatura, cinema, música, dança, arquitectura) que funcionam como referência para mim; não me restrinjo somente às artes visuais. Acredito absolutamente na interdisciplinaridade.

6. Tendências que tens percebido ou acompanhado nas artes contemporâneas nos últimos 15 anos.

A questão do arquivo, da colecção, da história, da etnografia e da antropologia... mas também a dimensão comunitária, social e relacional. Ainda que me seja difícil detectar tendências locais ou globais, penso que estas preocupações têm acompanhado uma boa parte dos artistas contemporâneos.

7. O que é que tu colocarias no teu cabinet de curiosités?

Os livros e os filmes que me marcaram profundamente.

8. A experiencia como artista residente no CDAP.

Foi um privilégio poder trabalhar no espaço físico e simbólico do Carpe Diem. A pesquisa e a exposição resultantes dessa experiência, The Fall, o exercício da queda, continuam a ser das mais relevantes no meu percurso.

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