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Marcia de Moraes

Nasci em São Carlos, São Paulo, em 1981. Sou bacharel e mestre em Artes pela UNICAMP. Dentre minhas exposições individuais e em dupla destacam-se: "Atos Falhos" na Galeria Leme, durante 2015; "Cheio de Vazio -Elaine Arruda e Marcia de Moraes" no Instituto Tomie Ohtake, em 2014, em São Paulo; "Corpo Duplo" na Galeria Leme, em 2012, também em São Paulo e "Correspondance Bresilienne: Saint Clair Cemin & Marcia de Moraes" na VL Contemporary, em Paris, durante 2011. Em 2010 fiz uma residência artística no La Cour Dieu, em La Roche-en-Brenil, em França e em 2011 fiz outra residência, no Carpe Diem Arte e Pesquisa, em Lisboa, seguida de uma exposição individual. Em 2013, com apoio do Ministério da Cultura, fiz  uma residência na Fundación Ace, em Buenos Aires. Em 2011 ganhei o Prêmio Funarte de Arte Contemporânea. 

 

1. Marcia de Moraes

Desenhista compulsiva.

2. O que vês quando olhas para a tua obra?

Vejo tensão, vejo tentativas de fazer conviver meus acertos e falhas através dos desenhos. Há também tentativas, nem sempre bem sucedidas, de combinar o lápis grafite traçado com os preenchimentos de cor feitos com lápis de cor. Vejo algo como uma barriga cheia de entranhas que cresce para dentro do desenho, como se ele tivesse uma profundidade real.

3. Que elementos não podem faltar numa exposição tua?

Não podem faltar diferentes problemáticas para cada exposição. Minhas exposições sempre começam do nada, no sentido de que há um espaço e uma data para ela acontecer, mas não há trabalho nenhum. Assim, vou começando a fazer os trabalhos e, quando estou na metade do caminho, percebo que há um conteúdo que une, agrega, a produção desta determinada exposição, e a cada vez, os conteúdos se modificam. Por exemplo, na minha última exposição, discuti através do conceito freudiano de Ato Falho (em Português de Portugal seria Ato Falhado), a minha própria forma de pensar e de fazer o desenho.

4. O teu processo artístico em poucas palavras.

É árduo, porque é lento no fazer e rápido no pensar. Equilibrar esta condição contraditória é difícil.

5. Artistas vivos ou obras que são uma referência para ti.

Minhas referências costumam vir de obras tridimensionais, das artes dramáticas e da literatura. Uma grande obsessão recente é o autor americano Philip Roth, especialmente sua obra "Fantasma sai de cena". Um artista visual da minha geração que sigo e admiro é Adrián Villar Rojas. Toca-me especialmente suas esculturas recentes em que há frutas coloridas no meio de um caos cinza.

6. Tendências que tens percebido ou acompanhado nas artes contemporâneas nos últimos 15 anos.

Percebo modismos, tanto em termos dos temas e conteúdos das exposições como na presença desta ou daquela linguagem. Às vezes há mais pinturas ou desenhos em determinadas exposições e, alguns anos depois, há mais vídeos, performances ou fotografias e depois as pinturas e desenhos voltam e, assim, se dá um movimento cíclico. Isso é muito chato, deixa as exposições chatas, sempre com a mesma cara. Acho que um trabalho bom, inteligente, com um conteúdo forte, independe da linguagem que ele utiliza como suporte. Eu gostaria de ver exposições mais ousadas...

7. O que é que tu colocarias no teu cabinet de curiosités?

Colocaria as frutas e verduras de Bordallo Pinheiro. Faria um gabinete inteiro com suas cerâmicas.

8. A experiencia como artista residente no CDAP.

Foi intensa. Fiz a residência em meados de 2011 e fiquei um mês em Lisboa, trabalhando todos os dias no palácio. Arrumei uma sala e nela me fechei. De vez em quando eu subia e pensava se os desenhos iam funcionar na sala de exposições que foi reservada para mim, a sala central, com as paredes azuis. Isso foi um grande desafio: como usar o azul das paredes ao meu favor? tentei integrar de certa forma os desenhos ao azul, mas não sei se fui bem sucedida… rs… sempre tenho dúvidas se deveria ter feito isso ou aquilo… adoraria voltar para o Carpe Diem agora, alguns anos depois, para tentar fazer algo diferente naquele espaço.