Pedro Calapez

Nasci em Lisboa em 1953. Começei a participar em exposições nos anos 70, tendo realizado a minha primeira individual em 1982. O meu trabalho tem sido mostrado em diversas galerias e museus tanto em Portugal como no estrangeiro sendo de salientar as exposições individuais: Petit jardin et  paysage, Capela Salpêtriére, Paris (1993); Campo de Sombras, Fundació Pilar i Joan Miró, Mallorca (1997); Madre Agua, Museo MEIAC, Badajoz e Centro Andaluz de Arte Contemporáneo, Sevilha (2002); Obras escolhidas, CAM- Fundação Gulbenkian, Lisboa (2004); piso zero, CGAC- Centro Galego de Arte Contemporáneo, Santiago de Compostela; Lugares de pintura, CAB-Centro de Arte Caja Burgos (2005); “There is only drawing", Fundação Luís Seoane, Corunha, Galiza (2013). Nas diversas mostras colectivas destaca-se a minha participação nas Bienais de Veneza (1986) e S. Paulo (1987 e 1991); Tage Der Dunkelheit Und Des Lichts, Kunstmuseum Bonn (1999); EDP.ARTE, Museu de Serralves, Porto (2001); Beaufort Inside-Outside, Trienal de Arte Contemporânea, PMMK Museum, Ostende (2006); “A colecção”, Museu de Serralves, Porto (2009); “A culpa não é minha, obras da Colecção António Cachola”, Museu Berardo, Lisboa (2010); “La colección”, Fundación Barrié, A Coruña (2011); "93", CGAC–Centro Galego de Arte Contemporânea, Compostela (2013).

 

1. Pedro Calapez

Artista.

2. O que vês quando olhas para a tua obra?

Tenho dificuldade em pensar-me e mais ainda relembrar o que fiz, por onde passei, com quem falei. A minha memória é um dos meus maiores problemas pois se por um lado desejo reencontrar determinados momentos por outro sinto que é no esquecer-me de mim que atravesso o processo criativo.

3. Que elementos não podem faltar numa exposição tua?

Rothko diz que o silêncio é o mais acertado. Para Cacciari é a representação da solidão que nos surpreende e apaixona. Kubin fala-me duma mão desconhecida e imemoravelmente putrefacta que esboça ligeiramente umas linhas sobre uma pequena folha de papel. conheço bem essa mão que foge de mim e revela quem sou sem eu dar por isso. A minha mão nunca deverá faltar.

4. O teu processo artístico em poucas palavras.

É com a ideia de provocar o olhar que a desconstrução da superfície pintada ocorre. Tudo começa quando me apercebo que depois de ver determinada pintura e querendo reavivá-la na minha memória apenas alguns detalhes são encontrados, ou melhor, diversos detalhes são claros e nítidos, mas surgem numa sequência imprevisível, sem relação com a história contada no quadro. Afinal esses fragmentos aparecem na proporção directa do meu interesse ou capacidade de observação e memorização . As minhas obras que são agrupamentos de painéis pintados pretendem reconstruir esse processo da memória, refazer um quadro com base em fragmentos. Cada painel pode ser visto isoladamente mas algo distinto surge do confronto com os que se encontram na sua vizinhança. Ao afastar-me o olhar depara agora com a totalidade dos fragmentos criando uma nova unidade, como se de uma única obra se tratasse. A decomposição promove assim o seu contrário. O que é parte e o que é todo confundem-se completando a obra.

5. Artistas vivos ou obras que são uma referência para ti.

Foi no contacto com alguns dos que viriam a ser referências na arte portuguesa (falo entre outros de Julião Sarmento, Fernando Calhau, Rui Sanches, ou dos que foram meus colegas na escola de Belas Artes: Cabrita Reis e José Pedro Croft) que se foi desenvolvendo o meu interesse pela arte contemporânea. O conhecimento do que se passa fora de Portugal, que no início era sobretudo encontrado nas revistas de arte que se conseguiam ir lendo prosseguiu num regular viajar pelo estrangeiro. Penso que a sensação de que “tudo é possível fazer” e de que não tenho que me submeter a escolas, linhas de trabalho ou tendências, e que todas as influências são produtivas, abriu o caminho para uma atitude descomplexada com o “fazer” que me mobiliza para trabalhar de um modo compulsivo e contínuo.

6. Tendências que tens percebido ou acompanhado nas artes contemporâneas nos últimos 15 anos.

Pintura Expandida. O espaço físico da pintura.

7. O que é que tu colocarias no teu cabinet de curiosités?

O habitado adapta-se à invenção do nosso olhar. Jogamos entre o banal e o ficcionado: sala pronta – ampliação dos ambientes - casa em terreno estreito - uma vida simples - sala para conversar - sala para reunir os amigos - a casa poderosa - tetos de vidro - casa a meio da serra - refúgio tranquilo - aproveitando a semana - para muitas funções diferentes – o único espaço que se tem - possuir a configuração típica - um cubo de ferro e vidro - tudo na sala - em qualquer lugar - a sala volta à configuração original - a superfície atrás da área de refeições – múltiplas configurações no mesmo espaço – a parede do salão prolonga-se indefinidamente - loft em deslocação – contentores de vazios - não conseguimos chegar a um único modelo - atravessar o corredor - pontos de cor destacam-se – coisas e momentos - para a biblioteca: preto - uma cabeceira a meia altura – esquinas com tonalidades neutras e marcantes - matizes não saturados - lugar amplo e arejado – não esquecer as propostas sustentáveis - a influência tende a somar-se - eventuais substituições - daria tudo para descer esta escada - parede de pedra natural - espaços integrados - tijolos aparentes - quem entra passa de um bloco ao outro - atravessar este corredor - usos diferentes. A representação do lugar fere propositadamente o olhar.

8. A experiencia como artista residente no CDAP.

 

 

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