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Tim Etchells

Sou um artista e escritor que trabalha no Reino Unido. O meu trabalho gira em torno da performance, das artes visuais e da ficção. Trabalhei em contextos muito variados, nomeadamente como o líder do mundialmente conhecido grupo de Sheffield, os Forced Entertainment. Atualmente, sou professor de Performance na Universidade de Lancaster. Desde 2008, no campo das artes visuais, tenho apresentado o meu trabalho em diversos contextos, incluindo as Bienais de Manifesta 7 e 9, October Salon, em Belgrado, a Bienal de Goteborg e a Trienal Folkestone, em 2014. As minhas exposições individuais mais recentes incluem: For Now (Plymouth Arts Centre, 2015), Personal Statement (VITRINE, 2015), Version Control (Arnolofini, 2013), Who Knows (Contemporary Art Gallery, Vancouver, 2014), The Part in the Story (Witte de With, Rotterdam, 2014), MirrorCity (Hayward Gallery, London, 2014) e Folkestone Triennial 2014. As minhas publicações mais recentes são Vacuum Days (Storythings, 2012), While You Are With Us Here Tonight (LADA, 2013).

 

1. Tim Etchells.

Performer, artista, escritor.

2. O que vês quando olhas para a tua obra?

Vejo as decisões que tomei. Lembro-me de coisas que estavam na minha memória. Lembro-me de perguntas que me tinham ocupado. Às vezes, vejo as oportunidades que perdi. Os compromissos que tomei. Se tiver sorte, consigo recuperar os restos do que perseguia – a pergunta particular, a complexidão e a contradição que tentava articular ou descobrir.

3. Que elementos não podem faltar numa exposição tua?

A linguagem. As coisas que são complexas na sua própria simplicidade.

4. O teu processo artístico em poucas palavras.

Trabalho através de diferentes media e contextos -faço performance, escrevo ficção, faço esculturas, fotografias e vídeos- portanto o processo é muito variável. Apesar disto, penso que no fundo há uma espécie de colecionismo de linguagem, ou imagens ou ações e depois trabalho através destas coisas. Sempre sou atraído por alguma coisa e depois encontro-me a tentar encontrar um modo de articulá-la. A tentar fazer que as coisas cantem... para que a sua complexidade ou a sua tensão sejam visíveis.

5. Artistas vivos ou obras que são uma referência para ti.

A minha companheira, Vlatka Horvat, é a pessoa com quem mais converso sobre o meu trabalho e sobre o trabalho dela. Partilhamos muito, apesar de que as nossas práticas serem muito diferentes. Admiro muitos artistas, são tantos: Bruce Neumann, certamente, porque as minhas preocupações claramente se conectam com as dele – em torno a linguagem e os objetos. Meg Stuart, a coreógrafa, com quem colaborei um pouco. Também, Boris Charmatz. E, ultimamente, comecei a pensar muito mais sobre a música e o som.

6. Tendências que tens percebido ou acompanhado nas artes contemporâneas nos últimos 15 anos.

Não penso muito nestas coisas. Acho que, claramente, o interesse na performance tem aumentado. O “Post Occupy” ou “Post 2008” (em referência à crise financeira de setembro desse ano) trouxe muito interesse quanto à intersecção entre arte e ativismo.

7. O que é que tu colocarias no teu cabinet de curiosités?

Fantasmas.

8. A experiência como artista residente no CDAP.

Na prática, não fui artista residente. Participei em duas exibições enquanto trabalhava no meu projeto “Artista da Cidade de Lisboa”. Gostei muito do CDAP: o espaço é maravilhoso e as pessoas com quem trabalhei, adoráveis.