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Vamos dar arte? - PÚBLICO

O Natal aproxima-se. Invadimos as lojas de sempre para comprar os presentes de sempre. E que tal oferecer uma peça de arte pelo preço de um cachecol e um par de meias?

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Também no Carpe Diem Arte e Pesquisa, uma iniciativa que nasceu em 2009 pelas mãos de Lourenço Egreja, Paulo Reis e Rachel Korman, as edições de múltiplos assumem um papel de destaque. O projecto, que ocupa o Palácio Pombal (século XVIII), antiga residência do Marquês de Pombal na Rua de O Século, promove residências para artistas, que resultam em exposições. Da programação constam também masterclasses, conferências, conversas com artistas e concertos.

“As edições aqui são um programa”, diz Lourenço Egreja, director artístico e curador sénior do projecto que integra o espaço expositivo, a loja, a cafetaria, o jardim e ainda uma sala de leitura. “Têm uma história engraçada: no final de 2009, íamos fazer uma exposição do Rodrigo Oliveira. O orçamento estava curto e então falámos com o artista e criámos uma edição [em formato de impressão a jacto de tinta de pigmento]. Fizemos alguns telefonemas, a edição vendeu-se toda e financiámos a exposição”, conta. E a partir daí, das exposições começaram a nascer edições.

No Carpe Diem, cujo foco é a arte contemporânea, “o múltiplo é uma espécie de uma senha porque cada edição está ligada a uma exposição, que esteve numa determinada sala… há toda uma ligação”, diz o curador. Os múltiplos têm também outra importante função: ajudam ao financiamento do projecto, contribuindo para a sua sustentabilidade.

Tal como Delfim Sardo, Lourenço Egreja incentiva: “Ofereçam arte, ofereçam arte — é o que eu digo. Há coisas bonitas, são de uma qualidade razoável e estão a ajudar o projecto, que é uma associação sem fins lucrativos.” E porque é Natal, a loja do Carpe Diem está a fazer uma campanha especial: até 19 de Dezembro, as edições estão à venda por 150 euros — a moldura é oferta.


No Carpe Diem as edições têm um preço único e a maioria tem uma tiragem de 30 exemplares rui gaudêncio

Ao contrário do Gabinete, e salvo algumas excepções, no Carpe Diem as edições têm um preço único. Lourenço Egreja explica porquê: “Os artistas são todos importantes e a ideia é que participem todos na sustentabilidade do projecto.” Apesar de não haver uma rigidez quanto à tipologia, “90% dos múltiplos do Carpe Diem são impressões a jacto de tinta de pigmento (técnica em que a tinta é injectada no papel)”, diz. Algumas das edições são também serigrafias, desenhos e gravuras. O projecto conta já com 120 edições, de artistas como os portugueses José Pedro Croft, Gabriela Albergaria, Pedro Calapez, Daniel Blaufuks, Maria Condado, David Oliveira, ou o brasileiro Bruno Vilela, o britânico Tim Etchells, o italiano Giovanni de Lazzari ou a belga Jeanine Cohen.

A maioria das edições tem uma tiragem de 30 exemplares e cada exemplar é numerado e acompanhado por um certificado de autenticidade assinado pelo artista. Lourenço Egreja defende que, apesar de serem múltiplos, as obras não deixam de ter valor. E relata um episódio para o provar: “Em 2014, vi uma pequena gravura de Matisse, o número 5 numa série de 6, na Marlborough Gallery, em Madrid, a 380 mil euros. Fui perguntar porque é que era tão cara, e responderam-me que o era por ser de Matisse, por ser o número 5 numa edição de 6 e porque a galeria não sabia a proveniência dos outros exemplares.”

Referindo-se às edições do Carpe Diem, Lourenço acredita que “num espaço de dez anos, numa edição de 30, alguns [exemplares] perdem-se. Tendencialmente, é assim que vai acontecer. Portanto, ao fim de dez anos, é óbvio que o valor aumenta, porque é óbvio que já não há os 30 exemplares”. O Carpe Diem controla o primeiro mercado: tem uma base de dados com a identificação das pessoas que compraram as 30 edições. A partir daí, os proprietários podem oferecer ou vender, e acaba por se perder o rasto ao exemplar — “isso é a vida das obras de arte, elas vão por aí”, advoga Lourenço.

Para quem tem um orçamento mais desafogado e procura peças únicas, Lourenço e Delfim aconselham uma ida às galerias.

“O múltiplo ocupa um lugar muito importante nos circuitos da arte", afirma Delfim Sardo rui gaudêncio

“O múltiplo não é uma pequena coisa marginal.” Quem o diz é Delfim Sardo. “O múltiplo ocupa um lugar muito importante nos circuitos da arte. Têm sido nossos clientes artistas, que vêm comprar obras de outros artistas”, explica. “[Isto prova que] a valorização do múltiplo já é feita no interior do universo artístico. Corresponde a uma tipologia completamente histórica da história de arte.”

Lourenço Egreja especifica — “Toda a gente faz impressões. Andy Warhol fazia serigrafias a torto e a direito. Rodin, nas suas esculturas, também fazia edições. Não há ninguém neste mundo que não faça edições.” O curador lembra que “vivemos num mundo de reprodutibilidade, que não é de agora. Há uma história de arte toda para trás, desde as gravuras”. E insiste que o facto de serem edições limitadas a 30 exemplares é um factor decisivo para quem compra. “O cliente sabe o que está a comprar”, afirma.

Apesar de em Portugal as edições de arte não estarem particularmente generalizadas entre o público, os dois curadores lembram que, pela Europa, os múltiplos de arte são uma realidade instituída. “Em Espanha há uma tradição de gravura enorme, em França há um coleccionismo de múltiplos de arte completamente estabelecido, Inglaterra tem os melhores impressores de gravura do mundo”, diz Delfim Sardo.

O mercado da arte é feito de valores elevados, sim. Mas não só.

“Em vez de umas calças, vou comprar este desenho”
Amanda Ribeiro

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Joana Pimenta _ Factores Humanos

16 > 19 DEZ _ 13h00 às 19h00 

Uma cadeira contorce-se para lhe aparar a queda. A sua estrutura ergonómica tem a capacidade de girar em qualquer direcção. Ouve-se o som subtil das teclas de um computador, o borbulhar de uma máquina de café. Ao longe, alguém dispara agrafos contra as largas janelas de vidro inquebrável. 

Estamos em Lisboa em 2011, num escritório habitado por actores. Corpos altamente treinados para o movimento e intensidade da performance habituam-se agora ao ritmo da inércia. Deslocados para este espaço em consequência do fecho temporário dos seus lugares de actividade, trocam treino por função, aperfeiçoamento da técnica por serviços técnicos, cenários e figurinos por secretárias habitadas por objectos de papelaria, e a atenção do público pela dedicação da mobília ergonómica que pretende servir com eficiência a rotina dos seus movimentos. 

FACTORES HUMANOS empresta o seu título do primeiro manual de ergonomia - que regula os objectos que têm como missão o suporte dos corpos enquanto estipula o treino repetitivo necessário para responder às suas exigências - e opera no espaço que é criado quando ambos falham.  Operando através de mattes e maquetes, e adaptando-se ao espaço das antigas cozinhas do Palácio Pombal, FACTORES HUMANOS propõe a superimposição das ruínas futuristas da mobília ergonómica no espaço de uma arqueologia do presente, procurando a ficção científica dos movimentos de rotina propostos pela ergonomia,  a geologia do espaço performativo de um escritório no centro da terra. 

Joana Pimenta, 2014| Video Instalação | Produzido com o apoio do Programa de Apoio às Artes Visuais Artes Visuais da Fundação Calouste Gulbenkian

Uma história da forma de Claire de Santa Coloma

A Sala de Leitura Paulo Reis recomenda o livro de uma das nossas artistas, Claire de Santa Coloma, que participou no 6º Programa de Exposições do Carpe Diem Arte e Pesquisa.

Uma história da forma é o registo fotográfico da exposição que a artista fez na galeria Progetti no Rio de Janeiro, em setembro de 2012.

O livro funciona como arquivo da classificação e a ordem na qual os objectos foram exibidos. É uma reflexão em redor da necessidade de classificação e de hierarquia aplicada de maneira puramente formal. O título remete para a História da Arte, ou neste caso, para a História da Escultura. Mas, na realidade, trata-se de uma possível história que implica a existência de muitas outras e que está longe de ser a única: uma tentativa de desconstrução da própria ideia de história.

Outros livros da mesma autora na nossa colecção: Guía práctica para hacer una escultura básica de madera.

 

 

Exposições de José Pedro Croft

Corpos duplos – Duplas imagens

(exposição individual)

14.11.2015 – 14.02.2016 | Capela do Morumbi, São Paulo, Brasil

http://www.museudacidade.sp.gov.br/exposicoes-expo.php?id=152

 

Bernd Lohaus, Carlo Guaita, José Pedro Croft, Gianni Caravaggio 

(exposição colectiva)

07.11.2015 – 16.01.2016 | Galerie Bernard Bouche, Paris, França

http://galeriebernardbouche.com/fr/expositions?type=&exhibition=164

 

As Casas na Colecção do CAM

(exposição colectiva)

20.11.2015 – 31.10.2016 | CAM, Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

http://cam.gulbenkian.pt/CAM/pt/Exposicoes/EmExposicao/Exposicao?a=72729

Luisa Jacinto inaugura "the smell of the shadow" na Galeria Silvestre

[...] Casi siempre – si no siempre- las obras de Luísa Jacinto – ¡y el modo en que se expanden en las pequeñas dimensiones! – están en el mundo (de dichas obras) igual que el corazón se encuentra en el organismo. Casi siempre permitiendo una especie de ensayo pictórico – uno muy simple, con una o dos figuras – para brotar, reiteradamente, con la llegada de alguien que intenta y falla y titubea y recoge el silencio en el color del escaso espacio en el que él o ella está inserto (como un personaje sobre el escenario). Alguien que se encuentra en la aventura de otro y se mantiene en el error, y cayendo, perdiendo las palabras adecuadas sobre lo que realmente queremos y también, probablemente, sobre aquellos a los que amamos.

[...] La figuración de Luísa Jacinto constantemente dice: “Somos de este mundo, pero en este mundo nos sentimos extranjeros entre extranjeros”. Y, no obstante, gravita, casi siempre, sobre una aparente serenidad.

[...] Sus personajes, mucho más reales que idealizados, crecen alrededor de una paradoja: la posibilidad de lo imposible. (...) Y aun así, el objeto pintado es aparentemente inmóvil. Además todas estas figuras que están allí y aquí, por la experiencia de lo imposible, crean un encanto preciso que va (mucho) más allá del arte: de la ética, de la ley, de la política, de la responsabilidad, de la decisión. [...]”

João Miguel Fernandes Jorge

One Always Fails to Speak of What One Loves

En el catálogo “A single day is enough”, Museu Carlos Machado 2012.

Uma outra Lisboa de Rosa Reis

A Sala de Leitura Paulo Reis recomenda o livro de uma das nossas artistas, Rosa Reis, que apresentou o seu projecto Cumplicidades em 2012, no Carpe Diem Arte e Pesquisa.

Uma outra Lisboa é um projecto fotográfico desenvolvido em 2002 a convite da Photo Espanha para representar Portugal na inauguração do novo Espaço cultural “La casa Encendida” em Madrid. Este projecto teve em vista retratar uma Lisboa quase extinta, mas onde ainda se exprimem modos de viver e estar que outrora a caracterizavam. Não se trata de documentar uma cidade mas sim de traçar o percurso interior que se materializa neste espaço. Esta Lisboa de Rosa Reis abre-se sobre uma cidade a descobrir.

 

Outros livros da mesma autora na nossa colecção: Omnipresença; Jazz; Uma luz na Pólvora; Memórias de uma Indústria; O Homem e o Trabalho. Fotografias; Siderurgia Nacional: o tempo e a memória; Património e Indústria: o fascínio do encontro.

Edições em Nova Iorque

A colecção de Edições do Carpe Diem Arte e Pesquisa está de visita a Nova Iorque durante o mês de Novembro.

O projecto Múltiplos – Edições Carpe Diem nasceu no seguimento das primeiras exposições do Carpe Diem Arte e Pesquisa. Actualmente, a colecção conta com mais de 100 Edições e cresce a cada novo ciclo de expositivo.

As Edições Carpe Diem são trabalhos dos artistas que integram o programa curatorial do Carpe Diem Arte e Pesquisa. Cada Edição resulta da colaboração directa entre o artista e o Carpe Diem Arte e Pesquisa. As obras, em pequeno formato e com edição limitada de 30 exemplares (+ 3 Provas de Artista), são acompanhadas de um certificado que garante a autenticidade da obra.

Acessíveis e de qualidade, esta colecção de Edições visa impulsionar a emergência de novos coleccionadores de arte contemporânea, contribuindo para a continuidade e sustentabilidade do projecto expositivo.

Roland Barthes

Porque Barthes é insubstituível, a Sala de Leitura Paulo Reis recomenda a sua obra.

No mês de novembro comemoram-se os cem anos do nascimento do pensador francês, autor duma obra fundamental para o nosso modo de analisar e nomear o mundo no qual vivemos. Roland Barthes, cujos aportes à cultura contemporânea são essenciais, publicou mais de vinte estudos de semiótica estruturalista, análises criticas de obras literárias, ensaios e também livros sobre fotografia, artes visuais, música, cinema e vida quotidiana. Os seus interesses, sempre iluminados pelo interesse pessoal, transformaram-se em objecto de interesse público.

França já esta a organizar a exposição e os debates que se vão realizar na Biblioteca Nacional de Paris. Em conjunto serão publicados novos estudos sobre a sua obra e uma exaustiva biografia.

Livros disponíveis do autor na nossa Sala de Leitura: S/Z: An Essay e Mythologies. 

Painted! de Beate Gunther, Guillermo Kuitca e Richard Allen Morris

A Sala de Leitura Paulo Reis recomenda o catalogo Painted!

Este catalogo foi publicado em conjunto com a exposição Painted! dos artistas Beate Gunther, Guillermo Kuitca e Richard Allen Morris na Daros- Collections em Zurich, entre Outubro de 2008 e Fevereiro de 2009.

A exibição e o catalogo reúnem aos três artistas que, a través de diferentes estratégias, quebram e interrogam os limites da pintura.

Collected Short Stories de Daniel Blaufuks

A Sala de Leitura Paulo Reis recomenda o livro de um dos nossos artistas, Daniel Blaufuks, quem participou no 4º Programa de Exposições do Carpe Diem Arte e Pesquisa.

Nesta escrita de instantâneos são apresentadas trinta e um histórias assinaladas por duas experiências essenciais. A primeira é a viagem, a condição de exílio que traz uma fotografia em itinerância, em ausência de Portugal. A segunda é a escrita fotográfica assente em fragmentos visuais, de prosa snapshot que referenciam diferentes cenários que Blaufuks cria neste jogo de imagens. Um livro de fotografias que relata histórias curtas, compostas em nove países entre 2000 e 2002.

Este trabalho foi exposto no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian em 2003.

 

Outros livros do mesmo autor na nossa colecção: Rio; Works on Memory. Selected writings and images; Álbum; Daniel Blaufuks; O Arquivo. Um álbum de textos e o livro de artista Uma viagem a São Petersburgo

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